NotíciaCascais24Horas| Operação urbanística nos terrenos da antiga Alcatel foi legal. Ministério Público arquiva denúncia
Por VALDEMAR PINHEIRO
Alvo há cinco anos de acusações da prática de alegadas ilegalidades na operação urbanística dos antigos terrenos da Alcatel, Piteira Lopes, à época vereador com o pelouro do urbanismo e atual presidente da Câmara de Cascais, viu agora o Ministério Público junto do Tribunal Administrativo e Fiscal de Sintra arquivar, por falta de fundamentos legais, uma denúncia feita na altura pela Associação de Defesa de Aldeia de Juso contra o município de Cascais, apurou Cascais24Horas.
No despacho proferido a 25 de
maio último, a que Cascais24Horas teve acesso, o Procurador Adjunto da
República, Pedro Vicente Cândido, sublinha que “da análise efectuada,
manifestamente não resultam elementos que indiciem qualquer ilegalidade, nem
que impliquem a intervenção do Ministério Público no âmbito da justiça
administrativa”.
“Resulta evidente, dos elementos
juntos e da informação prestada, que se mostra devidamente justificada a
operação urbanística e que foi cumprido o regime legal vigente, quer no que
concerne ao conceito de lote atualmente vigente no RJUE, decorrente da alteração
operada pela Lei n.o 60/2007 (que foi praticamente constante ao longo dos
tempos, apenas interrompida pela vigência do Decreto-Lei n.° 8/91, que permitia
que num loteamento alguns dos lotes não se destinassem à edificação urbana),
quer no que respeita ao estatuto destas parcelas de um loteamento destinadas a
espaços verdes e de utilização colectiva”, refere o despacho de arquivamento.
Em suma, o Ministério Público concluiu que da instrução realizada por diversas entidades públicas, designadamente a IGAMAOT, a IGF e a CCDRLVT, bem como os esclarecimentos e elementos documentais remetidos pelo Município de Cascais, resultou que a operação urbanística compreendeu a divisão de lotes, a alteração do uso do solo de industrial para comércio e serviços e o reforço das áreas verdes públicas e das infraestruturas. Concluiu, ainda, que a operação foi aprovada pelo município e mereceu parecer favorável das entidades competentes nos vários domínios setoriais aplicáveis.
Mais, apurou ainda que a área em
causa se encontra classificada como urbana, com afetação predominante a
comércio e serviços, verificando o projeto os parâmetros constantes do Plano
Diretor Municipal, nomeadamente quanto à densidade construtiva, uso do solo,
áreas verdes e estacionamento. Não foi apurada prova da realização de obras ou
construções ilegais, nem se considerou que as alegadas restrições de uso do
solo decorrentes da escritura de 1963 mantivessem eficácia vinculativa à luz do
quadro jurídico e territorial atualmente em vigor.
Despacho não surpreendeu Piteira
Lopes
Na altura da polémica, usada
durante a campanha autárquica de 2021, e da denúncia feita pela Associação de
Defesa de Aldeia de Juso, era presidente da Câmara de Cascais Carlos Carreiras
e vereador com o pelouro urbanístico Nuno Piteira Lopes, atual chefe do
executivo.
Na sequência do despacho do
Ministério Público a que Cascais24Horas teve acesso este domingo, procurámos
obter um comentário de Piteira Lopes, mas sem sucesso.
Porém, uma fonte próxima do chefe
do executivo assegurou ao nosso jornal que “o senhor presidente da Câmara
recebeu o despacho de arquivamento sem surpresa, pois esteve sempre de
consciência tranquila enquanto vereador com a responsabilidade do urbanismo”.
Conhecedora da polémica, a mesma
fonte não deixou de recordar, porém, que "à época o então vereador e atual
presidente do município foi alvo de uma campanha ignóbil e chegou mesmo a verem
ser distribuídas cartas anónimas pelo vizinho que dirige a associação de
moradores e companheiro do mesmo partido (PSD), que o acusava de tudo o
contrário do que agora o Ministério Público veio confirmar”.
“Passaram cinco anos, mas por
maior que seja o pedido de desculpas que agora fosse efetuado ninguém apaga as
marcas e o impacto que as acusações tiveram na altura”, concluiu a mesma fonte,
remetendo para mais tarde uma eventual declaração do presidente da Câmara de
Cascais.






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