Assembleia Municipal rejeitou moção do PS que exigia auditoria externa depois de buscas da Judiciária


 

MURCHES (Por Redação)- Foi reprovada pela Assembleia Municipal, que decorreu na última segunda-feira, no Grupo Recreativo e Familiar de Murches, a moção do PS que exigia uma auditoria externa a contratos públicos, na sequência da operação levada a cabo a 2 de junho pela Polícia Judiciária (PJ) a instalações autárquicas no concelho de Cascais.

Contra a moção votaram o PSD, dois deputados do Chega, do CDS e da Nova Direita e a favor o PS, Cascais para Viver, Livre e PCP. Por parte do Chega houve três abstenções.

A apresentação da moção havia sido profusamente divulgada na Comunicação Social pelo reeleito presidente da Concelhia de Cascais, João Ruivo.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da concelhia do PS de Cascais tinha explicado que a iniciativa surgia na sequência das recentes buscas da Polícia Judiciária (PJ) no concelho, que resultaram na constituição como arguido do presidente da Junta de Freguesia de Alcabideche, numa investigação a suspeitas de corrupção, prevaricação e participação económica em negócio.

“Este dinheiro saiu da Câmara Municipal e a Câmara Municipal também deve acompanhar e fiscalizar a forma como os dinheiros que a Câmara envia para os subsídios sejam empregues e sejam utilizados. Não estamos a acusar nem a condenar ninguém, mas não podemos deixar ficar no ar dúvidas sobre eleitos ou funcionários”, afirmou, então, João Ruivo.

Nos considerandos da moção, a que a Lusa teve acesso, eram referidas notícias sobre as relações contratuais entre o município de Cascais, entidades do universo local e empresas associadas ao universo familiar do antigo secretário de Estado da Saúde Fernando Costa Freire (PSD), que apontariam para alegadas ilegalidades em procedimentos relacionados com projetos de arquitetura, fiscalização de obras e empreitadas públicas.

O texto dá conta de que duas das empresas deste universo, a Wall Up e a Socidirect, terão celebrado 32 contratos com a autarquia entre janeiro e outubro de 2024, num valor global de cerca de 14,8 milhões de euros, registando um forte crescimento de faturação face aos anos anteriores.

Na oportunidade e questionado pela Lusa sobre a iniciativa do PS, o chefe do executivo, Piteira Lopes declarou-se favorável ao escrutínio e sublinhou que a autarquia é a principal interessada no “apuramento cabal” de todas as dúvidas.

“Sou o primeiro a defender o reforço da auditoria independente e da abertura dos dados na contratação pública. Acredito que só assim é possível garantir o rigor e a confiança nas instituições. Quem propõe mais escrutínio não receia o escrutínio”, sublinhou Piteira Lopes, defendendo a necessidade de defender a “presunção de inocência e o rigor dos factos”, apelando ao respeito pelo Estado de Direito.

“Não contem comigo para transformar uma fase preliminar de investigação num julgamento público. A constituição de arguido destina-se a garantir direitos de defesa e não constitui, por si só, prova de culpa”, concluiu, então, Piteira Lopes, referindo-se ao edil de Alcabideche, José Filipe Ribeiro, que foi constituído arguido.

Recorda-se que as oito buscas no concelho de Cascais realizaram-se no âmbito de um inquérito dirigido pelo Ministério Público de Sintra e tiveram por alvo a Câmara Municipal, as empresas municipais Cascais Próxima e Ambiente e as Juntas de Freguesia de Alcabideche e de Carcavelos e Parede.

Segundo o Ministério Público, as contratações em causa remontam a 2019, 2020 e 2021 e o inquérito investiga suspeitas dos crimes de corrupção, prevaricação e participação económica em negócio.

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