Fotojornalista cascaense Marques Valentim cede espólio fotográfico para ilustrar livro “Portugal: da Ditadura à Democracia”
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| MARQUES Valentim (ao centro) ladeado por Daniel Barros e Paulo Teixeira |
Recorda-se que Marques Valentim
é um dos nomes mais relevantes do fotojornalismo português, que acompanhou
momentos decisivos da história contemporânea nacional durante o processo de
transição e consolidação do regime democrático.
Nesta obra, uma edição bilingue
(português e inglês), com tradução de Paulo Teixeira, Daniel Bastos dá a
conhecer o singular espólio fotográfico de Marques Valentim. Entre mais de duas
centenas de fotografias emblemáticas, registos menos divulgados e imagens
inéditas, o fotógrafo captou, com notável sensibilidade, acontecimentos e
protagonistas marcantes da sociedade portuguesa no último quartel do século XX.
É a partir das memórias visuais
do antigo fotojornalista, que registou o conflito colonial em Moçambique e
integrou, ao longo de mais de três décadas, redações de jornais de referência
em Portugal, que são retratadas as vivências da guerra, bem como um universo
humano intenso e diversificado, composto por populações locais, olhares
expressivos e paisagens luminosas da então província ultramarina.
O livro aborda igualmente a
chegada e o difícil processo de integração dos chamados “retornados”, na
sequência da Revolução de 25 de Abril de 1974. Os principais acontecimentos
revolucionários são amplamente documentados pela objetiva de Marques Valentim,
desde a tentativa de golpe de Estado de 11 de março de 1975, passando pelo
conturbado “Verão Quente”, até ao 25 de Novembro, um dos momentos mais
marcantes e debatidos da Revolução portuguesa.
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| JOSÉ Luís Carneiro, líder do PS, com Isabel Soares e Marques Valentim na inauguração da exposição fotográfica |
A sessão de apresentação do livro, integrada nas comemorações do centenário do nascimento de Mário Soares e Maria Barroso, foi antecedida da inauguração de uma exposição fotográfica de Marques Valentim, inspirada na vida e nos legados do casal símbolo da luta pela liberdade e pela democracia em Portugal, contou com uma expressiva participação de público, reunindo representantes da sociedade civil, associações, órgãos de comunicação social e diversos agentes da vida cívica, cultural e política, entre os quais o Secretário-Geral do Partido Socialista, José Luís Carneiro, e Isabel Soares, presidente do Conselho de Administração da Fundação Mário Soares e Maria Barroso.
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| JOÃO Soares caracterizou o livro como um "contributo importante para a memória coletiva" |
Na oportunidade, João Soares, antigo presidente da Câmara Municipal de Lisboa e ex-ministro da Cultura, que assina o prefácio da obra de Daniel Barros e Marques Valentim, caracterizou o livro-álbum como “um contributo importante para a nossa memória coletiva”, além de que “para aqueles que viveram os tempos aqui retratados, representa um reencontro com momentos marcantes da nossa história. Para os que não os viveram, oferece uma oportunidade rara de os conhecer, ver e compreender, através do olhar atento e sensível de quem soube e teve a oportunidade de estar presente”.
O olhar atento de Marques
Valentim não se limitou, contudo, aos grandes acontecimentos políticos. Ao
captar as expectativas, tensões e transformações de uma sociedade em rápida
mudança, o fotojornalista revela também a dimensão humana da transição
democrática. Tornam-se visíveis não apenas os rostos de figuras incontornáveis
da democracia portuguesa e do processo de adesão europeia, mas também os
quotidianos de trabalhadores, famílias e comunidades do Portugal profundo nas
décadas de 1970 e 1980, assim como as vivências de emigrantes que, em fuga à pobreza
e à guerra colonial, partiram em busca de melhores condições de vida.
O livro será apresentado à
diáspora portuguesa no próximo dia 27 de junho, na Peach Gallery, em Toronto,
no âmbito do Mês do Património Português. A sessão, conduzida pelo empresário e
filantropo Manuel DaCosta, reconhece o papel da comunidade luso-canadiana na
preservação da identidade e dos valores da liberdade.
As receitas da venda do livro
reverterão a favor da Magellan Community Foundation, que está a desenvolver em
Toronto o primeiro lar de cuidados continuados para idosos de expressão
portuguesa.












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