E, prestar contas, não?
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| 02 DEZEMBRO 2019 |
Em Cascais, com a
liderança de Carlos Carreiras na Câmara Municipal, perdeu-se definitivamente o
hábito de prestar contas do exercício do poder autárquico aos munícipes.
Sei, ou sinto, que hoje
a maioria das pessoas não se quer dar ao trabalho de escrutinar o mandato que
entregou pelo voto ou que, porque deixou de acreditar, não foi sequer votar.
Para
quem gosta de política, este seria o sinal de alarme para investir em envolver
as pessoas nas decisões e na informação pública das razões das medidas tomadas
e depois os resultados obtidos.
Para quem, como o grupo
que manda em Cascais, gosta de usar a política para benefício próprio, não só
não é um problema, como é algo que pretendem incentivar cada vez mais. Quanto
maior for a distância entre os eleitores e as decisões da administração “melhor
se administra” a seu bel-prazer.
Prestar
contas dá trabalho e algumas decisões de administração pública em Cascais, que
temos acompanhado nos últimos tempos, só com uma boa dose de imaginação e
capacidade inventiva se conseguem explicar!
As opções de
desenvolvimento urbanístico são chocantes.
Não percebo a razão que
levou a aprovar a intervenção urbanística à entrada de Cascais nem que
interesse público possa estar por detrás de tal decisão. Já os interesses
privados são evidentes…
As opções de
desenvolvimento da mobilidade são opacas.
Ninguém consegue
perceber que modelo de mobilidade se pretende implementar nem que ferramentas
serão consideradas para garantir essa mobilidade.
Investimento em estradas
zero. Mesmo os projetos estruturantes, alguns com dezenas de anos com projetos,
nada. A conclusão das vias longitudinais sul e norte, a variante à estrada
nacional 247 no eixo Abóboda Trajouce, e o cuidado mais fino em algumas
localidades a precisar de urgente revisão de trânsito, (Abóboda, Trajouce,
Cabeço de Mouro, Amoreira, Sassoeiros, Arneiro, Cascais) são alguns exemplos de
muitos em que tropeçamos em Cascais.
O investimento em
transporte público é uma medida a aplaudir, mas também sobre isso é urgente
prestar contas.
O que é prioritário?
Investir meio milhão de
euros numa viatura não tripulada para deslocar(?) meia dúzia de pessoas da
Universidade para a estação de Carcavelos ou investir em melhorar os
transportes nas muitas zonas ainda cinzentas do concelho?
E o investimento já
realizado permitiu transportar quantas pessoas?
Quanto está a custar ao
erário público por pessoa transportada esta solução implementada?
E as muitas zonas do
concelho onde o estacionamento continua a ser um caos e manifestamente
insuficiente para as necessidades? E as zonas do concelho que por artes mágicas
de estacionamento livre passa para estacionamento pago?
A política de habitação
agora anunciada é um grande ponto de interrogação.
Anunciar-se com pompa e
circunstância investimentos em habitação para estudantes antes de pensar nos
problemas que ainda existem para os que já habitam o concelho só demonstra que
a política em Cascais é feita virada para fora, virada para as televisões e os
jornais, ignorando os problemas e os anseios dos que pagam impostos em Cascais.
E não fica claro quem
faz o investimento, se o município se os investidores no betão…
Em apenas três exemplos
da gestão camarária ficam tantas perguntas sem resposta.
Agora que está na moda
falar-se de saúde poderia dizer que precisávamos de um especialista em medicina
interna para avaliar os problemas e um cirurgião para operar e resolver esses problemas
mas, afinal, Carreiras, Pinto Luz e Piteira são apenas…anestesistas!
+Tudo em família
+Os munícipes de Cascais também querem ser amigos de Carreiras!
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+Nova Cascais- O betão, sempre o betão!
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*Os artigos de opinião publicados são da inteira responsabilidade dos seus autores e não exprimem,
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