Vice Luís Capão revela que Cascais cria projeto barreiras para travar alga invasora


CASCAIS (Por Redação)- Barreiras flutuantes, imagens de satélite, dados oceanográficos, informação meteorológica e algoritmos de inteligência artificial, constituem as ferramentas que Cascais está a recorrer para combater de forma ativa o avanço de uma alga invasora que tem assolado a costa portuguesa e, segundo o Vice-presidente da Câmara de Cascais, Luís Capão,  “o mar é um ativo estratégico em Cascais, a adoção de medidas de proteção da orla costeira e da biodiversidade marinha são uma prioridade na gestão territorial do espaço marítimo do município”.

Originária do Pacífico, a alga invasora (Rugulopteryx okamurae) tem avançado silenciosamente sobre a costa portuguesa afetando praias, biodiversidade marinha e atividade económica.

Além do Plano de Ação Municipal, o primeiro aprovado pelo Conselho Municipal do Mar, Cascais está a apostar em soluções inovadoras baseadas em tecnologia espacial, inteligência artificial e ciência oceânica com capacidade de prever quando e onde a alga poderá chegar à costa e que medidas poderão ser tomadas para proteger as zonas balneares do concelho, assim como o seu ecossistema marinho.

O projeto Barreiras Flutuantes está a ser desenvolvido pela empresa EasyHarvest, start-up da Universidade do Algarve que cria soluções inovadoras de colheita em grande escala para mitigar os impactos da proliferação de algas marinhas nocivas. A ideia é implementar uma barreira de contenção dos arrojamentos da alga que chegam a Cascais. Arrancou em maio e deverá terminar dentro de um ano.

O projeto EO4RO (Earth Observation for the Mapping and Monitoring of R. OKAMURAE) está a ser desenvolvido pelo consórcio composto pela empresa GMV e pelo Plymouth Marine Laboratory- um dos centros científicos internacionais de referência em investigação marinha.

Visa criar um modelo à escala do concelho que permita antecipar episódios de proliferação e chegada às praias. Com recurso a imagens de satélite, dados oceanográficos, informação meteorológica e algoritmos de inteligência artificial, o sistema irá testar a capacidade de prever episódios de acumulação costeira, mapear em tempo quase real a extensão da invasão, simular o transporte da alga por correntes e vento, cartografar habitats marinhos afetados e emitir alertas automáticos para autoridades e população.

O projeto Remoção da alga R. OKAMURAE na Zona Costeira de Cascais– Monitorização de experiência piloto e campanhas de sensibilização está a ser desenvolvido pelo MARE (Centro de Ciências do Mar e Ambiente) e pela ARNET (Rede de Investigação Subaquática), laboratório associado do Sistema Nacional de Ciência e Tecnologia. Faz a monitorização de uma experiência piloto e campanhas de sensibilização para a remoção de alga ainda não analisada pela comunidade científica.

“Apesar de ser um problema relativamente recente em Cascais, temos acompanhado o impacto económico e social desta invasão biológica nos Municípios do sul de Portugal e acreditamos que o trabalho em rede e cooperação é a forma mais rápida de minimizar estes efeitos no nosso território", diz Luís Capão

O projeto ReAlga (Valorização da Biomassa R. OKAMURAE que arroja na zona costeira de Cascais) é uma iniciativa privada desenvolvida pela empresa OffKelp e pelo Instituto Superior de Agronomia da Universidade de Lisboa. Visa valorizar a biomassa da Rugulopteryx okamurae que arroja em Cascais.

No ano passado, foram removidas 1 300 toneladas das praias que foram encaminhadas para este projeto piloto, sendo devolvidas às praias cerca de 738 toneladas de areia resultante do pré-tratamento inicial deste resíduo. A biomassa restante foi aproveitada para testes de aproveitamento energético e agrícola no Instituto Superior de Agronomia.

A R.okamurae é uma alga castanha nativa do Pacífico asiático, detetada pela primeira vez no Mar Mediterrâneo em 2002 e tem vindo a expandir-se rapidamente pelo Oceano Atlântico. Nos últimos anos acumulou-se em várias zonas costeiras europeias, provocando elevados custos de limpeza, impacto no turismo, dificuldades para pescadores e degradação de habitats naturais.

O fenómeno começa a ganhar relevância, mas com a abordagem integrada destas soluções, Cascais poderá tornar-se o primeiro município português a testar uma solução transversal  e um caso de estudo europeu na gestão costeira inteligente.

O modelo poderá ser replicado noutras zonas vulneráveis, do Algarve às Canárias, do Mediterrâneo ao Atlântico Norte.

Cascais partilha todo o conhecimento adquirido pelo Plano de Ação Municipal no âmbito do grupo de trabalho da Estratégia Nacional da qual faz parte desde a sua fundação a julho de 2025.

“Apesar de ser um problema relativamente recente em Cascais, temos acompanhado o impacto económico e social desta invasão biológica nos Municípios do sul de Portugal e acreditamos que o trabalho em rede e cooperação é a forma mais rápida de minimizar estes efeitos no nosso território, como tal saudamos o trabalho desenvolvido pela Agência Portuguesa do Ambiente, que lidera o grupo de trabalho nacional, na célere identificação de medidas de apoio aos territórios afetados” conclui o Vice-presidente da Câmara de Cascais.

 

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