Direitos humanos e democracia encerram conferência Agir Já de autarcas em Cascais


ESTORIL (Por Redação) - O segundo e último dia do ACT NOW Mayors (Agir Já de autarcas em Cascais), a primeira conferência internacional da Capital Europeia da Democracia 2026, que decorreu no Centro de Congressos do Estoril, permitiu aos participantes conhecer várias perspetivas sobre o presente e o futuro da política, da democracia e dos direitos humanos. 

“Foi uma honra para Cascais receber mais de 300 líderes e representantes internacionais para debater, durante dois dias, a democracia e os direitos humanos. E acho que posso falar por todos os presentes ao dizer que foi muito importante a partilha de diferentes experiências e perspetivas. Ficou claro para todos que é tempo de agir”, salientou Piteira Lopes, presidente da Câmara Municipal de Cascais, atual Capital Europeia da Democracia.

Jamie Susskind, autor britânico do bestseller Future Politics, defende que “a mudança tecnológica que estamos a viver vai ser tão profunda para a política como a invenção da escrita, a revolução agrícola, ou a revolução industrial”. Para o autor, já está em marcha a mudança para um mundo “em que sistemas não humanos serão capazes de discutir, de persuadir, de analisar. Serão capazes de pedir e de manipular”, alerta.

Reconhecido pelo seu trabalho sobre o impacto das tecnologias digitais na democracia, o especialista explicou ainda que “à medida que o século avança, a grande questão é em que medida devemos viver sob o poder de tecnologias digitais poderosas – e em que termos”. “É tempo de começar a pensar nestas questões”, sublinhou.

Nesta edição da Conferência ACT NOW Mayors estiveram ainda presentes líderes políticos das províncias mais atingidas pelo conflito na Ucrânia, que relataram os desafios de governar e criar confiança entre os cidadãos, mantendo ao mesmo tempo condições, como as comunicações e vida cívica, em territórios em guerra.

“Mesmo a 27 km da frente de batalha, estamos a construir uma comunidade.”, explicou Denys Korotenko, presidente da Câmara de Shyroke, em Zaporíjia. “A guerra trouxe-nos sofrimento e dor. Mas não nos quebrou. Uniu-nos ainda mais”, desabafou a autarca de Dobroslav, Liudmyla Prokopechko.

“A coisa mais importante é deixar as pessoas saber que não estão esquecidas e que fazem parte da comunidade. Porque uma comunidade existe onde as suas pessoas estão – e nenhuma ocupação pode quebrar esse laço”, explica Natalia Petrenko, chefe da Administração de Shulhinka, na província de Luhansk.

Cascais foi eleita como Capital Europeia da Democracia (ECoD) 2026 pelo European Capital of Democracy Institute, numa votação de especialistas internacionais e de mais de 4500 cidadãos europeus.

Cascais, a terceira cidade europeia reconhecida com este título, sucede a Viena e Barcelona, após bater dezenas de outras candidatas no processo de qualificação, incluindo Sófia e Roterdão, as outras finalistas do ECoD 2026.

Esta conferência marcou o início do “Ano da Democracia”-  um programa que, ao longo do ano, integrará um conjunto alargado de iniciativas, incluindo eventos públicos, debates temáticos e projetos colaborativos.

 

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