ESTORIL Classics cresce, mas Autódromo continua à espera de decisões
Por CARLOS MOUZACO
ALCABIDECHE- Depois de há algumas semanas ter recebido uma sessão de testes para a época de 2026,
reunindo várias classes emblemáticas do desporto automóvel, entre as quais
Fórmula 1 clássica, Supercars (GT4 e GTC), a verdade é que o Autódromo do Estoril continua com futuro incerto e à espera de decisões.O ambiente em pista voltou a
recordar o potencial do circuito, mas fora dela persistem questões estruturais
que continuam sem resposta — e que já tiveram impacto direto na edição anterior
do Estoril Classics.
Bancadas condicionadas e falta
de intervenção
Depois de uma edição de 2025 que
atraiu cerca de 35 mil visitantes, o evento decorreu já com limitações
significativas: a bancada A encontra-se interdita ao público há mais de um ano,
obrigando à utilização exclusiva da bancada B.
Apesar disso, o interesse do
público manteve-se elevado, impulsionado pelo apelo histórico do evento — onde
ainda ecoa, no imaginário coletivo, a vitória de Ayrton Senna em 1985,
frequentemente revivida através das máquinas que regressam à pista.
No entanto, a ausência de obras
de requalificação levanta preocupações quanto ao futuro.
Race Ready garante
continuidade, mas admite limitações
A organização do evento, liderada
pela Race Ready, empresa sediada no concelho de Cascais e responsável por
afirmar o Estoril Classics como uma referência europeia no “historic racing”,
mantém o compromisso com a edição de 2026.
Diogo Ferrão, CEO da Race Ready,
assegura: “Não existe, à data, qualquer indicação de que o Estoril Classics
2026 esteja em causa. Seria trágico que um dos maiores eventos da região não se
realizasse, tendo em conta os compromissos assumidos e o trabalho
desenvolvido.”
Ainda assim, reconhece
limitações: “Neste momento, o cenário mínimo será a utilização da bancada B,
uma vez que não temos informação oficial sobre alterações à situação atual.”
Problema não está na pista,
mas na experiência do público
Do ponto de vista técnico, o
circuito continua apto para receber competições internacionais — como demonstra
o histórico recente com provas do Campeonato do Mundo de Superbikes.
O problema está, cada vez mais,
fora da pista.
As infra-estruturas de apoio ao
público — conforto, acessibilidade, condições sanitárias e experiência global —
não acompanham os padrões atuais exigidos por eventos internacionais.
Hoje, os grandes espetáculos desportivos são mais do que competição: são experiências completas. E é precisamente nesse ponto que o Autódromo do Estoril tem ficado para trás.
Concorrência avança, Estoril
perde terreno
A perda de competitividade já é
visível. O exemplo mais recente é a saída da Porsche Cup Brasil, que passou a
realizar-se no Autódromo Internacional do Algarve.
Este tipo de decisões reflete uma
tendência mais ampla: enquanto outros circuitos investem e evoluem, o Estoril
permanece numa situação de indefinição.
Ainda em 2024, o circuito
apresentava uma agenda preenchida ao longo de todo o ano. Hoje, o cenário é
diferente.
Um ativo estratégico à espera
de decisão
Para a Race Ready, o Estoril
continua a ser um ativo estratégico com enorme potencial.
“Temos um circuito tecnicamente
preparado, uma história única, condições climatéricas excecionais e proximidade
a um aeroporto internacional. Com investimento e uma gestão adequada, o futuro
pode ser muito positivo.”
A recente clarificação da
Parpública quanto ao uso dos terrenos — afastando cenários de especulação
imobiliária — é vista como um sinal encorajador. Mas não resolve o essencial: a
necessidade de decisão.
O tempo começa a contar
A indefinição prolonga-se e
começa a ter consequências práticas.
A modernização da infraestrutura
deixou de ser uma opção — é uma necessidade urgente para garantir a
continuidade e crescimento dos eventos.
Como resume Diogo Ferrão: “Pior
do que decidir mal, é não decidir.”
Um alerta claro
O Estoril Classics continua a
afirmar-se como um dos maiores eventos do género na Europa, resultado do
trabalho consistente da Race Ready ao longo dos anos.
Mas o futuro do evento — e do
próprio Autódromo do Estoril — depende agora de decisões concretas.
A bancada A permanece encerrada
há mais de um ano.
E o tempo, esse, não está a favor
do Estoril.
NOTA DO DIRETOR. Indisponível desde 18 de março, devido a um infame ataque informático, com disseminação de malware ao seu site oficial, que atenta contra a liberdade de Imprensa e de expressão e enquanto os profissionais da empresa Wizardingcode procuram resgatar todo o conteúdo jornalístico publicado e colocar online um novo site, mais robusto e seguro, CASCAIS24HORAS regressa ao blogspot (foi nele que começou) e passa a utilizar provisoriamente o novo endereço https://cascais24horasdestaques.blogspot.com/ para continuar a manter os seus fiéis leitores informados. Porque têm direito a uma informação independente e rigorosa a que o jornal os habituou nos últimos 12 anos. Aproveito para agradecer as mensagens de solidariedade e condenação pelo ato praticado contra este jornal enviadas de vários quadrantes, quer políticos, quer da sociedade civil. Aos colaboradores e leitores, preocupados com a paralisação jornalística prolongada de CASCAIS24HORAS, o nosso também bem-haja. Continuamos resilientes e estamos a contar retomar brevemente a atividade jornalística normal. (Valdemar Pinheiro, fundador, proprietário e diretor CPJ 376)











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